Aquelas 29 crianças não me deixaram dormir. Foi impossível deitar a cabeça no travesseiro e não ouvir a algazarra. Há quase um mês fui convidada pelo grupo de ensino, pesquisa e extensão do qual participo para dar duas oficinas sobre bullying (tema da minha iniciação científica junto a FAPESP e, consequentemente, do meu TCC) para os professores da rede pública de uma determinada escola. Deu um friozinho na barriga, mas aceitei, afinal do que adianta estudar e pesquisar e não colocar nada disso em prática?! A oficina será no 2º semestre. Eu adoro crianças, já trabalhei algumas vezes com elas e é sempre um novo aprendizado. É sempre uma experiência diferente. É sempre apaixonante e instigador. Para poder conversar “adequadamente” com os professores daqui há uns meses resolvi acompanhar a oficina sobre bullying que duas colegas ainda da graduação dariam para os alunos da 6ª série da mesma escola. O material preparado pelas meninas estava ótimo e, teoricamente, era para eu ser um sujeito passivo e observador, mas, chegou um momento que foi impossível não intervir. Deixando de lado como se desenvolveu a oficina, pois este não é o ponto deste texto... eu não consegui dormir e comecei a pensar: COMO fazer aquelas crianças se interessarem pelo tema? COMO fazer aquelas crianças se respeitarem? COMO fazer aquelas crianças ficarem em silêncio por 10 segundos e ouvirem algo? COMO fazer elas participarem? COMO fazer elas pararem de bater uns nos outros? COMO e COMO e COMO??? Estabelecer uma moeda de troca? Fazer dinâmicas em roda? Dividir em pequenos grupos com um “maior responsável”? Perguntas que, talvez, nem um pedagogo ou um professor experiente responda, porque se respondesse a educação no Brasil não estaria neste estado. É clichê falar que falta investimento na educação e, realmente falta, mas não é interesse do nosso sistema que todos recebam educação de qualidade. E, neste sentido, ouvimos professores desacreditados e cansados falando que “educação não é o caminho”. Se educação não é o caminho, qual é o caminho então? As respostas que possivelmente respondem a essa pergunta me assustam. Me senti uma tremenda irresponsável, pois para conseguir me aproximar das crianças conversei sobre a vida pessoal delas...perguntas desde “quantos anos você tem” até o “que você quer ser quando crescer”. Conversei principalmente com as meninas as quais me fizeram várias vezes a seguinte pergunta: “Quando você volta?!”; “Amanhã você estará aqui de novo?!” “Volta!!!” Ou ainda: “Tia, você gosta de dançar funk?!”; “Sabe fazer quadradinho de 8?!” Tentei estabelecer diálogo com os meninos mais arteiros e passei a compreender um pouco deles... Se você senta e conversa com eles, eles param a algazarra e conversam com você. O que falta é atenção e afeto pelo próximo. É triste, é muito triste você ver que são várias as crianças já na 6ª série que mal sabem escrever e, por isso, muitas vezes ficam intimidadas de participar de determinadas atividades. É uma realidade que poucas pessoas conhecem e com a qual eu tive contato algumas vezes, mas, vezes o suficiente para não me deixar encostar a cabeça no travesseiro e dormir. Me senti uma tremenda irresponsável, porque não sei quando voltarei lá para ver essas crianças de novo e, é claro, é cristalino, é óbvio que o que elas precisam é de atenção e alguém que “goste” delas, porque é claro que dentro de casa elas não tem e, muito menos, na escola. A maior parte das crianças é proveniente de famílias desestruturadas, pais drogados, presos, mães prostitutas etc. Ouvi histórias de arrepiar, mas que eu não quero e não posso reproduzir. Qual o ponto em você entrar na vida dessas crianças por 2 horas e “abandona-las”/nunca mais voltar/voltar depois de meses?! Desenvolver o projeto de extensão da faculdade?! Tentar mudar uma realidade de anos em 120 minutos?! Eu acho que mexer com vidas é algo bem maior e precisamos nos atentar a isso. Talvez, seja um “problema” meu que me apego facilmente, talvez não, talvez eu só esteja olhando a situação com uma sensibilidade maior, talvez eu não esteja preparada para esse tipo de trabalho voluntário... bom, não sei, fica a seu cargo leitor formar uma opinião. Ah...o ROXO NA PERNA foi porque um aluno jogou uma carteira e ela tombou bem na hora que eu estava passando na sala de aula. Eu vi que ele não percebeu, foi eu que estava desatenta com todo aquele contexto. O CORAÇÃO DESPEDAÇADO... é porque eu me senti impotente frente a “possível impossibilidade” de mudança daquelas crianças. Sim, eu estou triste e querendo abraçar cada uma delas e falar “Olha, não é bem assim, as coisas podem ser melhores, ok?” O CORAÇÃO DESPEDAÇADO... também é porque eu vi professores desacreditados. Eles são os únicos que não poderiam estar assim e eu sei que a culpa não é deles. É do nosso governo, são das famílias, é do meio social como um todo. Não consegui expressar metade do que eu queria aqui, nem metade do que aconteceu durante essas duas horas de oficina, não consegui expressar metade do que eu pensei, nem metade do que eu gostaria de escrever, porque é “simplesmente difícil” demais. É difícil tratar de algo que os livros não te ensinam, é difícil tratar de algo que foge totalmente do seu controle. Deixo este texto como um início de reflexão para todos... A única certeza que eu tenho é que NÃO PODEMOS DESISTIR DAS NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES. NÃO PODEMOS. p.s.: Desconsiderem eventuais erros de português, estou muito cansada e escrevi tudo isso tentando esvaziar um pouco a minha cabeça para tentar dormir. Egoísta, mas, talvez, por um bom motivo.
Sabe o que eu acho trágico?! Hoje, SOMENTE hoje, boa parte das pessoas resolveram olhar para o céu, admirar a lua e expressar tal sentimento por meio de uma rede social. E por que isso?! Não sei. Peço desculpas por tamanha incompreensão. Todos são livres para sentir e expor qualquer coisa e a qualquer momento - antes expor algo belo do que feio. Mas me incomodou... e incomodou por algumas razões: Incomodou porque ao invés de ficar por um bom tempo observando a lua, a primeira coisa que fizeram foi correr para uma rede social para compartilhar tal sentimento. Não entendi. Ok. Também recorro as redes sociais para expressar algumas coisas e, talvez, eu esteja sendo contraditória com este “argumento”... mas como sou livre, posso falar desse incomodo, talvez alguém entenda. Ou não. Incomodou porque lá de Franca, interior de São Paulo, eu admiro o céu todos os dias quando volto a noite da academia, e, quase sempre ele está muito estrelado e com uma bela lua - seja ela minguante, crescente, nova ou cheia. Não só a noite, mas a primeira coisa que faço ao sair de casa é contemplar o céu, esteja ele com um sol raiando, esteja ele cinzento permitindo que gotículas de água caiam sobre a minha face. É isso, é exatamente isso, que me dá forças para iniciar o dia e me lembra que acima de qualquer coisa eu sou humana e tenho uma Vida. Vida com letra maiúscula, porque os compromissos que assumimos sejam pessoais, sejam profissionais são sim importantes, mas antes deles preciso retomar as coisas simples e senti-las, pois são elas que garantem a minha felicidade e sanidade. E o que eu faço?! Eu agradeço, não sei se a aquele que chamamos de “Deus”, mas agradeço por estar viva e poder saborear essas sensações: dos raios quentes, das gotas frias, do luar inebriante. Creio que todos nós deveríamos fazer isso frequentemente e perceberíamos que hoje não é o único dia com uma bela lua no céu que merece ser exposto nas redes sociais. Perceberíamos que são muitos desses dias que passam despercebidos devido ao cotidiano enlouquecedor. Digo mais: o céu, o sol, a lua e as estrelas são bonitos todos os dias, só cabe a nós sabermos admirar a beleza sob ângulos diferentes. Talvez assim nossa vivência ficasse mais suave, pois quem pode dizer que não é belo viver sob um céu iluminado?! p.s.: Posso estar muito enganada. Talvez as pessoas façam o mesmo que eu e hoje, randomicamente, a maioria resolveu postar ao mesmo tempo sobre a beleza da lua. Se for isso, já me adianto com um pedido de desculpas.
Nos últimos tempos tenho testemunhado uma série de situações as quais me levaram a refletir sobre a essência humana: o amor. Não raro em nossas relações interpessoais sejam elas um namoro, uma amizade, uma relação entre pais e filhos ou entre empregador e empregado, seja uma relação forçada entre pessoas que não são afins; não raro nessas relações o que é fundamentalmente levado em consideração é aquela vestimenta social que o indivíduo coloca para sair e para entrar em casa; aquela vestimenta que representa o seu papel na sociedade: ser namorado (a), ser amigo (a), ser filho ou pai, ser um desafeto. O essencial é deixado de lado ou até mesmo esquecido - o fato que somos todos seres humanos, que somos todos iguais e carentes de amor. As vezes, é preciso olvidar-nos das nossas “funções sociais” e, simplesmente, encarar-nos como seres humanos. Seres humanos permeados por fragilidades, imperfeições e sentimentos. Precisamos lembrar que ao mesmo tempo em que estamos em um momento de crise, o nosso semelhante pode estar passando pelo mesmo infortúnio e precisando da mesma atenção que reclamamos para nós. Devemos colocar o nosso individualismo em um segundo plano e tentar ler a alma do nosso semelhante para compreendermos suas aflições e buscarmos no nosso interior uma forma de amenizar esse sentimento. Não é difícil, basta pensarmos da seguinte maneira: O que nós gostaríamos de ouvir/ o que gostaríamos que fizessem por nós caso estivéssemos passando por essa determinada situação?! Claro, não resolveremos os problemas, mas, com certeza seremos tão bem vindos como um afago nos cabelos. Por fim, analogamente aos momentos de felicidade, porque não basta compreender a tristeza, precisamos saber reconhecer o mérito de uma vitória e compartilhar dessa alegria.
Sem grandes explicações prevalecendo a única certeza que quando duas pessoas estão destinadas a se encontrar isso ocorrerá, de uma forma ou de outra, nesta vida ou em outra. Sem grandes lamentações por este encontro, por vezes, se dar de forma dessincronizada, como se um caminhasse para um lado e o outro para outro, se reencontrando como no símbolo do infinito quando as linhas se cruzam unicamente no centro, mas em um movimento uniforme. Sem grandes expectativas porque é certo que encontrar equivalência espiritual é como achar um tesouro perdido. Sem medo porque há quem acredite em coincidências, há quem acredite em pré-destinação e há aqueles que acreditam que caso você esteja cumprindo a sua missão, o seu livre-arbítrio, mesmo recebendo sopros de paixões e vícios terrenos, te guiará para os melhores caminhos a serem descobertos. E também há aqueles que não acreditam em “nada”, neste caso resta respeitar, mas não perder tempo e palavras tentando persuadi-los de algo. Uma menina daquelas que tem um brilho especial, mas que em certo momento passava por algumas dificuldades, recebeu estrelas de Deus para guardar em um potinho. Deus disse para que ela não deixasse as estrelas fugir, mas que ela deveria desfrutar dos raios brilhantes e permitir que aqueles que os vissem também pudessem experimentar. As estrelinhas transmitiam uma incrível energia positiva. A menina não se surpreendeu, apenas passou a ter mais fé quando um dos anjos que já havia passado pela sua vida, apareceu novamente atraído pelas faíscas brilhantes dentro de um dos vários frascos da sua casa. O anjo experimentou aquela energia e a menina pode perceber que ela foi um instrumento... aquele anjo era muito bom para ela, mas Deus não tinha como recarregar as energias do filho alado, porque ele havia deixado o céu há muito tempo, desta forma, sutilmente, ele usou a menina que estava mais próxima de sua casa. Como sempre, o anjo foi embora, desta vez renovado, porque a menina já estava bem. Estava bem por saber que cumpria a sua missão, estava bem por transmitir o seu brilho, estava bem por saber que o seu anjo continuará fortemente zelando por ela, a guardiã do brilho das estrelas.
Em meio a uma conversa meio sem pé nem cabeça pela internet... Em meio a um ambiente totalmente perturbado por uma campainha que soava incansavelmente e por um telefone que tocava desesperadamente... Em meio a uma conversa que começou com o assunto “arte” e terminou com o assunto “relacionamentos”... Em meio a uma vida cheia de acontecimentos inacreditáveis ou quase inverossimeis... Em meio a uma conversa onde cada um usava o outro como terapeuta para falar de experiências diversas... Em meio a toda esta conjuntura a palavra "sofrimento" veio à tona. [Houaiss] SOFRER v. (mod.8) 1 Trans.int. sentir dor física ou moral; padecer. 2 Trans. Ser alvo de (acidente, golpe etc.) 3 passar por (algo ger. ruim) 4 aguentar, suportar 5 int. ter dano, prejuízo – sofredor adj.s.m.-sofrimento s.m. Paradoxalmente minha sombra, já que há anos prometi que não mais sofreria por NADA, (E aí já me questiono: será que NADA merece um sofrimento?!) e, realmente, assim ocorreu, pois a intimidade com este estado de espírito é tão grande que não mais o abomino, mas convivo na mais perfeita paz com ele. Sem adentrar em demasia em histórias e sentimentos pessoais, esta realidade me fez levantar um sem-número de questionamentos. Já me disseram que não sofro muito, pois os meus 23 anos me ensinaram a ter um grande potencial de desapego... desapego das pessoas, das coisas, das situações. Mas não é verdade, pois eu me apego e gosto, como gosto. O apego é quente, o apego é acolhedor, o apego é vida, o apego é o céu e o inferno. Consoante Vinícius de Moraes “fiel a sua lei de cada instante; desassombrado, doido e delirante; numa paixão de tudo e de si mesmo”. A questão é que quando o sofrimento assombra, tenho uma “receita de bolo” para colocar a minha sombra na linha, para fazê-la acompanhar o meu ritmo quando a mesma está apressadinha querendo me ultrapassar. Em meio a estes questionamentos da madrugada quase “surtei”, pois precisava explorar a obscuridade de tais meandros, mergulhando profundamente na minha vida regressa, de modo que pudesse compreender o presente para ter um futuro melhor. Não sabia se escrevia um ode, uma apologia, um poema, um repúdio, um desabafo e aqui estou nesta reflexão sem sentido, sem começo, nem fim e que não vai me levar a lugar nenhum. Mais um texto para eu ler daqui uns anos e dar risada, chorar ou ver que está se repetindo. Hoje eu tenho “receitas de bolo” para curar sofrimentos... assim como tenho “receitas de bolo” para outras circunstâncias (Acredito que todos temos). Mas que tipo de sofrimento é esse que é curado com “receita de bolo”?! Isso não me parece certo. Veja bem, não disse que eu não sofro. Eu sofro, mas será um sofrimento de verdade? Será um sofrimento criado de propósito? Será sofrimento ou mera paixão pelo masoquismo? E mais, todas essas perguntas geram uma outra: Podemos graduar o sofrimento?! Porque a “quantidade” de sofrimento de hoje em circunstâncias parecidas com as do passado é muito menor. Então, chego a duas conclusões óbvias - de que é possível a graduação deste estado de espírito e que com uma simples “receita de bolo” você pode acabar com ele como uma ressaca curada após uma alegre bebedeira. E tudo isso me entristece, porque tudo isso desvaloriza os verdadeiros momentos que causaram o “sofrimento”. Tudo parecia muito mais verdadeiro quando não tinha a tal “receita de bolo”. Ou ainda: nada disso é sofrimento, é tudo capricho e eu nunca sofri de verdade, por isso é tão “fácil” superar. Talvez eu não conheça o real significado desta palavra. Será?! Quem sabe?! Talvez um dia eu saberei ou não. "A poesia tem comunicação secreta com o sofrimento do homem". (Pablo Picasso)
Quando a impaciência começa a bater, Quando o tédio começa a aparecer, Quando o coração começa a palpitar, Quando a mão começa a coçar... Sei que a hora de escrever veio me reencontrar. Começo com um clichê: Nunca diga nunca, tampouco duvide caso não possa contra provar. Hoje acredito em Santos, Hoje acredito em Anjos, Hoje acredito em milagres, Hoje acredito que o tempo é o Senhor da razão, Hoje acredito no impossível. E prossigo... Quando você se achar extremamente - complete com o adjetivo que melhor lhe convir - ou, Quando você achar que já fez tudo - complete com o verbo que melhor lhe convir, Não se engane... Só a vida sabe da vida. E ela é tão misteriosa E ela é tão cheia de veios e entranhas, E ela é tão cheia de retornos e desvios... Que é impossível ser ou viver extremamente alguma coisa. Tente. Duvido. Só a vida sabe da vida. E hoje a única coisa que eu sei se traduz em mais um clichê: que nada sei... Porque... Só a vida sabe da vida. E essa ignorância, e esse "não saber" é tão apaixonante que me encontro obcecada por cada pequenino detalhe do cotidiano: Um copo fora lugar, um cachorro latindo, uma brisa repentina, um sentimento novo, CA-DA PA-LA-VRA. É tão único cada segundo, cada idéia, cada ação, cada objeto... Não há como a vida ser ruim ou feia. Não há. É como se fosse amor a primeira vista, tudo, todos e qualquer "coisa" com a qual me deparo. E me pergunto: Loucura?!Talvez...mas, Só a vida sabe da vida.
Eu achei que ía ser fácil. Achei que não ía me desgastar...ACHEI TUDO ERRADO! Um Natal diferente.
Postado por Juliana on 19 de dezembro de 2012Eu achei que ía ser fácil. Achei que não ía me desgastar. Achei que seria só mais um trabalho em meio tantos outros. Achei tudo errado...Mas tudo valeu a pena. Dentre inúmeros afazeres que assumi depois que a minha turma - XXIV de Direito da UNESP - se formou e a comissão de formatura acabou, fiquei encarregada de dar um destino ao restante do dinheiro que ficou na conta corrente. Em meio a enquetes, falta de tempo, semanas e mais semanas, um sem inúmero de discussões acaloradas, pois cada um queria dar um destino ao dinheiro: churrasco, doação, sorteio... Tivemos espaço até para discussões ideológicas. A única e mais importante máxima pareceu esquecida “fazer o bem e não olhar para quem” ou ainda “daí e não olhai para quem” no fórum da turma. Enfim, a turma optou por doar o dinheiro para um projeto/ONG sem vínculo institucional com a UNESP. Dentre algumas opções sugeridas, escolhi os “Andarilhos da Luz” (o grupo já tem 10 anos de estrada), pois já tinha ouvido falar do trabalho e admiro aqueles palhaços que vão todos os domingos alegrar os pacientes em hospitais aqui de Franca. No final do ano, eles tem um projeto paralelo chamado “Operação HoHoHo” no qual eles recolhem as tão famosas cartinhas do correio e da casinha do papai Noel no centro da cidade. Importante salientar que estas cartinhas são provenientes de famílias carentes e o grupo se encarrega de visitar lar por lar para ver se a família realmente “precisa”. Depois de recolhidas as cartinhas, eles buscam atender aos pedidos que consistem no geral em brinquedos, cestas básicas, vestimentas etc. Talvez tenha sido instintivo, já que nos últimos anos descobri uma grande afinidade por trabalhar com crianças, mas acredito que foi a melhor escolha que eu poderia ter feito neste momento no nome da minha turma. Ok. Projeto Escolhido. Entrei em contato com o coordenador da “Operação HoHoHo” que me explicou como tudo funcionava. Conversamos muito e decidimos a melhor forma de eu colaborar com a operação. Ele me passou uma lista com os pedidos de todas as crianças e eu ficaria encarregada de comprar o que conseguisse e atualiza-lo do status dos pedidos. Deu um friozinho na barriga... do tipo “Meu Deus, e se a criança pedir aquele carrinho ()#*@&*#@# ou aquela Boneca XTQJOAÇLA , o que eu vou fazer?! Como vou achar isso?! Estou a pé aqui em Franca. Não tenho muito tempo...e agora?! Bom, vamos lá!!!” Ao abrir a lista de pedidos, realmente me surpreendi... Tirando meia dúzia de pedidos um pouco mais “complexos ou caros”, a grande maioria consistia em pedidos muito simples, tais como roupas, sapatos, bonecas, carrinhos, bolas de futebol, “brinquedos” (sem especificar mesmo), chocolate, panetone, caixa de lápis de cor, caderno, estojo. Na hora o meu frio na barriga passou e eu “quase que entristeci”, pois me deparei com a realidade. Sim, a realidade, aquela que muitas vezes passa bem longe da gente. Aquela realidade da maior parte da população brasileira. Não a nossa realidade privilegiada. No Natal sempre pedi um “brinquedo diferentão” ou algo “mais caro”, algo que eu não tinha durante o ano todo... E aquelas cartas revelavam a realidade brasileira: crianças precisando de coisas que eu sempre tive como “básicas” ou que eu não precisava esperar uma “data especial” para ganhar. Isso tudo me tocou muito...isso me fez lembrar de algo esquecido...isso me fez voltar a pensar como criança...isso me fez lembrar do sentimento de rasgar um embrulho de Natal e encontrar um brinquedo que tanto queria. Isso me fez lembrar que não são todos que tem “Natais” fartos e gordos, com abundância de comida, com X tipos de carnes diferentes, Y tipos de pratos, Z presentes, árvores grandes e casas enfeitadas...amigos, pessoas, sorridentes felizes comemorando como se não houvesse o amanhã...Enfim, isso me fez lembrar e me “tocar” de muitas coisas. Demorei alguns dias para sair as compras, porque o tempo em Franca não colaborou. Choveu por dias. Finalmente, consegui sair em meio a chuva mesmo na 2ª feira a tarde. Pensei que seria fácil. 530 reais e uma lista de pedidos. VAMO QUE VAMO!!! Dá para atender a muitas crianças... A lista tinha pedidos de aproximadamente 30 famílias, lembrando que cada família tem aprox. algo entre 2 e 3 filhos, as vezes mais. Não foi fácil... Meu primeiro pensamento: “Rodar” as lojas de 1,99 do centro e tentar comprar brinquedos baratos para poder comprar para muitas crianças. Ok. Nunca tinha percebido antes como tais lojas tem MUITOS brinquedos, baratos sim, mas sem muita qualidade... Fui em 3 lojas grandes. Uma coisa ou outra acabei comprando nestas lojas, porque não tinha nas “lojas de brinquedos de verdade”. Depois fui em 2 lojas grandes de brinquedo aqui no centro e não tive dúvida de que compraria todos os presentes nestas lojas. Eu simplesmente não consegui “comprar qualquer coisa, qualquer boneca, qualquer carrinho chinês” nas lojas de 1,99. Cada nome acompanhado da idade, cada pedido que eu olhava na lista, eu tinha o maior cuidado para escolher “A Boneca”, “O carrinho”, “O brinquedo” (claro, levando em consideração o pequeno orçamento que eu tinha)... mas foi tudo com muito sentimento, não consegui fazer algo automático como pensei que seria: 530 reais, X pedidos, X brinquedos. Não, não foi assim... gastei tempo para escolher cada coisa, para fazer cada boneca combinar com cada carrinho de boneca, para não dar o mesmo presente para irmãos, para dar presentes que eles pudessem “jogar” juntos, para dar algo que fizesse os olhinhos deles brilharem ao menos um pouquinho. Não tem como explicar... foi como se cada criança da lista fosse minha filha, ou meu irmãozinho mais novo ou alguém que eu gostasse muito...mesmo sem conhecer. Entre idas e vindas de lojas para casa, de casa para as lojas, afinal estava a pé e o volume das sacolas era grande, os olhos lacrimejantes, o coração saltitante, um misto de ansiedade e felicidade foram uma constante durante os dois dias de compras. No final das contas, atendemos pedidos de 18 crianças. Ainda preciso prestar contas para a turma, apresentar fotos, comprovantes etc. O meu sonho era poder participar da entrega dos presentes as famílias no dia 24... A princípio, até combinei com os Andarilhos, mesmo não sendo parte oficial do grupo. Contudo, não conseguirei participar. Tentei ser forte, tentei, mas ainda não foi dessa vez. Não foi fácil falar para mim mesma que abriria mão de passar o Natal com a família para passar sozinha dentro de um ônibus da Cometa, só chegando na minha cidade para o almoço. Além disso, recebi o convite de uma confraternização no próximo final de semana com uma das minhas melhores amigas que não vejo há ano e fico sempre enrolando. Uma pessoa que sempre me ajudou muito quando precisei. Enfim... precisei ser egoísta e olhar um pouco para as minhas necessidades, para a minha vida, para as pessoas que a compõe...afinal, sem elas, eu não teria base para fazer todo o restante. Acho que é aí que percebemos a nossa humanidade e acertamos: precisamos assumir quando não somos fortes o suficiente para determinada situação ou ainda assumir quando abraçamos mais do que poderíamos. Nos próximos dias algum dos Andarilhos vem a minha casa para recolher as doações. Já me sinto triste pelo fato de não estar aqui no dia 24, mas... é a vida. Tentamos o tempo todo conciliar: trabalho, estudos, amigos, família...tentamos o tempo todo fazer isso dar certo. Definitivamente, não é pouca coisa e não é fácil. Mas quem disse que seria, não é?! Conclusão: Não foi fácil, tirei um peso das minhas costas (agora não há mais pendências da comissão de formatura!!!!), ganhei um presente de Natal “sem querer” – tudo o que eu passei, aprendi, senti e percebi foi o maior presente que eu poderia ter ganho neste final de ano. Vocês da XXIV Turma de Direito da UNESP devem se sentir assim também, afinal, foi uma decisão e um ato da turma e cada presente está etiquetado com o nome dela. Tenham certeza qeu fizemos a diferença na vida de muitas famílias aqui em Franca...tenham certeza que os olhinhos de 18 crianças vão brilhar no Natal por causa de vocês! Por nossa causa! É isso aí XXIV!!! Boas Festas a todos! Grande abraço! Saudades.